Dúvidas

  • Complementando sobre Conchectomia

    Uma outra dúvida que foi manifestada em mensagens para mim seria se os juízes iriam exigir que as orelhas estivessesm íntegras nas exposições, em face da proibição junto ao CFMV. Para ficar uma resposta oficial eu enviei essa questão à CBKC que assim me respondeu:

    A resolução publicada pelo CFMV afeta apenas as atividades dos profissionais de medicina veterinária, não afetando em qualquer aspecto as atividades de registros e exposição da CBKC.

  • Fazer ou não a conchectomia (corte das orelhas)

    Existe um conflito importante entre cortar ou não cortar as orelhas dos nossos americans. No padrão da raça American Staffordshire Terrier está escrito que quando as orelhas não estiverem dobradas em rosa seria indicado o corte para poder participar de exposições. E na verdade, independentemente de estarem ou não dobradas esteticamente em rosa, todos faziam o corte por acharem que os americans e os pitbulls ficavam mais bonitos. E eu penso assim. No entanto os ativistas em prol dos animais, não desejando que passivamente sofram mutilações partidas dos homens começaram a se organizarem e lutarem por leis que proibissem essas práticas. Entre estas também o corte das caudas. Atualmente existe um temor por parte da maioria dos veterinários de realizar esse procedimento em razão da proibição do Conselho Federal de Veterinária. Eu vou transcrever esse artigo interessante para que seja analisado. Notamos que existem questões que vão além de simples decisões estéticas como tendemos a pensar. Um cão como o American pode se beneficiar da conchectomia. O cão com as orelhas dobradas parecem que surgiram por seleção humana. O ideal seria que fossem eretas. Aqui está o artigo:

    Corte de orelha – Conchectomia

    Conceito:

    Partindo do princípio que os cães primitivos e os selvagens tinham o pavilhão auricular ereto e em forma de concha, o homem, ao longo do tempo, reconheceu que esta realidade beneficia as condições de proteção e audição. Talvez seja esta a real intenção do homem em formatar orelhas grandes e pendentes em conchas eretas em algumas raças, propiciando além de um corte estético, o fator proteção.
    Parece que nós, humanos, é que quisemos aumentar o tamanho das orelhas dos cães, talvez na intenção de fechar o conduto auditivo para diminuir a audição nos cães de caça, para não se distraírem do faro como é o caso do Basset Hound, Bloodhound, Cocker Spaniel, entre outros, resultando obviamente em maiores problemas nas orelhas e conduto auditivo, como otites (infecção nos ouvidos), fungos, sarnas, otohematomas (descolamento da cartilagem por hemorragia auricular), injurias, dilacerações, alopecia, sangramento, miíases (bicheira), surdez e dermatites.
    Percebemos que orelhas pendulares são sempre alvos fáceis e com pouca chance de defesa, acarretando em uma maior incidência de problemas. Um cão doméstico com orelhas pendulares se fosse solto na natureza provavelmente morreria rapidamente, pois qualquer ferimento no pavilhão, atrairia insetos, moscas, e fatalmente uma miíase ocorreria, levando o animal a morte em pouco tempo.


    Novos Movimentos:

    Cortando parcialmente o pavilhão, se promovem três movimentos das orelhas, o da ereção, abaixamento e rotação, dando condição ao cão de espantar insetos, se proteger de mordida de outros cães, melhorar a audição, diminuir as chances de proliferar fungos, sarnas e bactérias que induzem a otite.
    Cães que mergulham:
    Em cães que tem habilidade de mergulhar como o Pit Bull, as orelhas cortadas promovem uma condição ideal para a oclusão total do conduto auditivo, observamos então que o cão que tem orelhas cortadas tem melhor desempenho ao mergulhar do que o cão que tem as orelhas integras.
    Estética:
    A partir do momento em que o homem começou a cortar o pavilhão auricular na intenção de diminuir e modificar o formato da orelha, automaticamente a evolução estética deste procedimento vem se tornando uma realidade, a ponto de ser considerado por muitos uma obra de arte, enaltecendo a expressão de muitos cães, que por vezes não tinham tal expressão definida por falta de qualidade na conformação.
    Em muitos casos é feita a prática do corte de orelhas em cães mestiços, em geral no interior, com o intuito de beneficiar a condição de defesa do cão para a lida no dia a dia com animais.
    Aumento da Imunidade:
    Alguns Autores dentre eles de la Torre - Dobermann Express – Argentina nº16 (1993), alegam que o corte das orelhas aumenta sensivelmente a imunidade do cão contra vírus do tipo Cinomose, Parvovirose entre outros.

    Ensino: 

    Lamentavelmente os Médicos Veterinários treinados para a prática da Conchectomia, que é uma cirurgia que exige alta meticulosidade de detalhes, estão em pequeno número.
    A falta de interesse das Universidades em ensinar a devida técnica para este procedimento é um fato, além de não oferecerem estes serviços nos ambulatórios cirúrgicos, favorecendo uma atuação amadora e não ética de muitos criadores, que por sua vez acabam cometendo atos de maus tratos nos cães que são submetidos a bandagens mal feitas e operados em condições higiênicas inadequadas.
    Prevenindo o pior:
    Efetuar a conchectomia na idade jovem, com o filhote em boas condições de saúde, onde todo o procedimento é facilitado, desde a cicatrização até a colocação das orelhas na posição correta, sem dúvidas é muito melhor comparado a conchectomia feita como tratamento em cães adultos que sofrem perda parcial do pavilhão, ou tem que ser operados por alguma razão que tenha danificado o pavilhão auricular, como também no caso da necessidade da fenestração de ouvido externo, utilizada para melhorar a condição de um caso de otite crônica, sem falar nas deformidades de orelhas provocadas pelo otohematoma (provocado por trauma freqüente, como o movimento de chacoalhar das orelhas).
    Indicamos a prática da conchectomia feita sob condições e técnicas sofisticadas como a de uma osteossíntese ou cesariana, onde o material cirúrgico é esterilizado e o procedimento feito por um profissional com larga experiência, e com uma condição de acompanhamento semanal do filhote para se trocar as bandagens quando necessário, nos momentos corretos, com um resultado eficiente e esteticamente admirável, e que evite qualquer desconforto no filhote, do contrário é preferível que o animal fique com as orelhas íntegras mesmo que em condições suscetíveis à problemas que nem sempre podem ser resolvidos.


    Proibição:

    A proibição do corte de orelhas ocorre em poucos países da Europa, dentre eles a Alemanha e Inglaterra, que adotaram uma posição radical. Entidades especializadas destes países são contrárias à proibição, a exemplo do que ocorreu na Mundial da Alemanha no ano de 2003, onde foi proibida a participação de cães operados, reduzindo sensivelmente a freqüência em pista dos melhores exemplares da Europa, e conseqüentemente não classificando os melhores cães na realidade, selecionando inadequadamente os exemplares das variadas raças.
    Mesmo com a intervenção de entidades protetoras no sentido de cancelar esta exigência, as solicitações não foram aceitas, e o julgamento da raça Dobermann como exemplo foi feito frente a 40 exemplares mal representados, ao contrário das mundiais anteriores com freqüência de 400-700 Dobermanns. Portanto aqui no Brasil, como não há proibições, sugerimos que as orelhas sejam operadas por Veterinários qualificados e nas idades adequadas, como pedem os padrões das raças.
    - Raças populares no Brasil que cortam orelhas:
    Schnauzers, Pinscher, Boxer, Dobermann, Dogue Alemão, Pit Bull, Dogo Argentino, Mastino Napolitano, Grifon de Bruxelas, American Stafordshire Terrier, Bouvier de Flandres, Cane Corso, Presa Canário.

    - Técnica indicada:

    Sedação com anestesia local, onde o sangramento é totalmente controlado com termocautério, e com sutura em toda sua extensão, facilita-se um correto posicionamento e cicatrização. É um procedimento feito em torno de 30 minutos, podendo o filhote retornar para sua residência logo que a cirurgia termina. Os pontos devem ser removidos sete dias após a cirurgia, e as bandagens quando necessárias devem ser trocadas semanalmente até que as orelhas se posicionem corretamente.
    O autor que já realizou mais de sete mil cortes de orelhas em variadas raças é contra o uso de capacete ou qualquer suporte metálico ou de plástico que possa machucar ou promover desconforto ao filhote. A sugestão é de bandagens com esparadrapo.

    - Idade Ideal para o Corte das Orelhas:

    Cães de pequeno porte como Schnauzer Mini, Pinscher: 4 meses de idade.
    Cães de médio porte como Boxer, Dobermann: 2 meses de idade.
    Pit Bull: 2-4 meses
    Cães de grande porte como Dogue Alemão, Mastino Napolitano: 50-70 dias de idade.

    - Correções de orelhas mal posicionadas:

    Existem várias técnicas para serem utilizadas na intenção de corrigir problemas que por ventura possam ocorrer em função de complicações pós-operatórias, trazendo mais segurança nos dias de hoje para a garantia de sucesso no corte das orelhas.

    Dr. Edgard Morales Brito

  • Podemos ter um american com outros cães?

    O que levar em conta na hora de ter vários cachorros

    Mais do que a raça, o que determina a amizade entre animais é a personalidade de cada um.

    A chegada de Rocky Balboa, um exemplar da raça bull terrier, à vida dos médicos Guilherme e Natasha Murta, alegrou a vida do casal, ainda sem filhos. Inteligente, porém teimoso, o cachorro demonstrou, contudo, ser um pouco possessivo em relação aos donos. “Percebemos que era hora de ele ter uma companhia de outro cão”, recorda Guilherme.
    Foi quando o casal encontrou Dóris, também bull terrier. O que era para ser a solução do problema, com o tempo se revelou outra preocupação: a fêmea, apesar de amorosa, era territorialista, ciumenta e de difícil relação. “Ela, assim como o Rocky, precisou passar pelo adestramento para resolver questões comportamentais”, conta o médico.
    Na sequência, o casal resolveu encontrar um amigo para Rocky e Dóris. Eles optaram pelo brincalhão Rambo, um american staffordshire terrier, hoje com cinco meses. Depois de buscar orientação profissional para o entrosamento do novo pet, Guilherme finalmente encontrou a harmonia que queria em casa. “Não foi um processo simples, mas as aulas foram fundamentais para que hoje os três convivam conosco e entre si sem sustos e surpresas”, comemoraDepois do adestramento, o três animais são inseparáveis.
    A história de Rocky, Dóris e Rambo é um exemplo da importância de se procurar ajuda profissional quando se tem animais com problemas de entrosamento. “Para que a convivência seja pacífica, o dono deve aprender a ditar regras, além de ser calmo, confiante e sem traços de ansiedade ou medo. Quando ele não assume esta responsabilidade, os problemas surgem e se agravam”, explica o adestrador Aguinaldo Diniz.
    Um erro fatal é soltar os cães já de imediato e esperar que usem suas próprias regras e estilos de interação para solucionar a situação. Ou seja, a aproximação deve acontecer aos poucos.
    Personalidade
    Mais do que pensar em combinação de raças, é preciso considerar a personalidade do animal. “Este é um assunto polêmico, pois pode estigmatizar determinadas raças como agressivas e antissociais, mas, pela ótica mais adequada, características comportamentais existem em todas elas. Então, decifrar o estilo é a chave para resolver, evitar e até eliminar os problemas dos cães que não combinam entre si”, argumenta Diniz.
    Existem, segundo estudos no Brasil e no mundo, diversos perfis de comportamento dos animais de estimação, como tranquilo, ativo, agressivo, medroso, territorialista, ciumento, dependente e independente.

    Adultos e filhotes

    Se chegou um filhote, dar prioridade sempre ao animal mais antigo, independentemente da idade e do tamanho, é fundamental. “Quando os donos pegam um filhote indefeso, sentem dó e dão a ele todos os privilégios, mas não sabem que estão criando um ‘monstrinho’ que, em pouco tempo, cobrará isso de todos da casa. O mais antigo, por sua vez, vai ficar com sua condição violada e buscará recobrar a ordem”, esclarece o adestrador Aguinaldo Diniz . Neste momento, as brigas vão começar. Se já começaram, a tendência é piorar. Para estabelecer uma amizade, os cuidados são simples: o mais antigo come e recebe atenção em primeiro lugar. Quando a ordem é infringida, a agressividade assume o controle da situação.

    FIQUE ATENTO

    Há três estilos de cães definidos: dominantes, equilibrados e submissos, sendo que os problemas são percebidos entre os dominantes:
    o Dominantes x dominantes = problema, com aumento substancial da probabilidade de brigas.
    o Dominantes x equilibrados = o problema será resolvido sem muito esforço, visto que os equilibrados não vão querer brigar.
    o Dominantes x submissos = sem problemas, pois os submissos não vão brigar.

    REPORTAGEM DA GAZETA DO POVO – VIVERBEM ANIMAL
    Obs.: o american staffordshire terrier referido na reportagem é um New Kraftfeld.

     

  • COMO PREPARAR UMA CADELA PARA REPRODUÇÃO: DO ACASALAMENTO AO PÓS-PARTO

    O início da preparação da fêmea para reprodução deve começar com a escolha da matriz ideal, ou seja, a que tenha o padrão zootécnico desejável para raça escolhida e que tenha nascido de uma ninhada na média da raça ou acima, com o intuito de transmitir aos seus descendentes uma boa prolificidade. Isto já foi observado, por exemplo, em algumas linhagens da raça Fila Brasileiro.

    O segundo ponto observado á a vermifugação, que deve ser um amplo espectro. Devemos lembrar que um filhote mal vermifugada pode virar uma adulta lactante que passará uma grande quantidade de parasitas aos filhotes por via transplacentária ou mamária.

    O terceiro ponto deve ser a vacinação, toda fêmea deve estar com cobertura vacinal anual em dia durante o período gestacional. Caso ela complete um ano da última vacinação durante a gestação ou amamentação, esta deve ser antecipada para 15 dias antes da cobertura. Devemos observar as peculiaridades de cada região com relação as vacinas contra herpesvirose e leishmaniose caso ocorram ou não em uma dada região. As vacinas gerais contra parvovirose, cinomose, leptospirose, adenovirose, coronavirose, parainfluenza, raiva, tosse de canis, e giardíase devem ser feitas em qualquer região.

    O quarto ponto observado é o estado nutricional. O escore ideal é entre 4 – 5 (escala de 1 a 9), aqueles com cintura abdominal marcada e uma pequena cobertura de tecido adiposo sobre às vértebras e costelas, e que estas sejam facilmente palpáveis. Fêmeas abaixo do peso terão dificuldades em nutrir os embriões e fetos e, consequentemente, em levar a gestão adiante, ou até parirão em tempo normal, mas com filhotes de baixo peso corporal e pouca viabilidade. Já fêmeas acima do peso podem ter problemas de fertilidade, ninhadas menores e dificuldades no parto.

    Devemos observar também as condições do macho: verificar sua libido, verificar se existem lesões testiculares ou penianas que possam interferir na cópula ou coleta de sêmen; e por fim a qualidade seminal, visto que alguns machos apresentam forte libido, mas ausência ou baixa qualidade espermática. Também devemos descartar transitoriamente da reprodução machos ou fêmeas com tumor venéreo transmissível (TVT) e definitivamente com brucelose e herpesvirose.

    Quando a cadela inicia a entrada no proestro, conhecido como inicio do cio em que esta apresenta um grande aumento vulvar e corrimento serosanguinolento, a mesma deve ser alimentada com um alimento enriquecido com antioxidante (vitaminas E e betacaroteno), óleos essenciais (Ômegas 3 e 6) e minerais (selênio e zinco) que agem como protetores de membrana plasmática celular e estimulam os ovários a maturarem óvulos em maior e melhor qualidade. Em vários trabalhos com humanos e cães foi observado diminuição de malformação (lábio leporino, fenda palatinae espinha bífida) em fêmeas que utilizaram alimentos enriquecidos com ácido fólico, antes e após a concepção. Durante o início da gestação deve-se utilizar um alimento o qual a cadela não venha a ganhar peso inicialmente, pois não ocorre exigência nutricional que justifique o aumento da necessidade energética diária, tendo em vista que o feto é muito pequeno e não ocorreu a mineralização do esqueleto que se intensifica por volta dos 42 dias de gestação.

    Em mais de 1000 cadelas inseminadas observou-se por meio de citologia vaginal que o momento ideal para cruzar ou inseminar em 70% das cadelas estava entre 11° e 15° dia do inicio do sangramento. O percentual de fêmeas (30%) que ficaram fora deste período, gera uma margem de erro muito grande para cruzar sem realização de uma citologia ou de exames mais acurados para determinar o momento ideal do acasalamento/inseminação, como a dosagem de progesterona, de hormônio luteinizante (LH) ou ultrassonografia ovariana.

    Uma vez determinado o período ideal podem-se realizar duas inseminações ou coberturas com 48 horas de intervalo.

    O período mais crítico para a gestante ocorre durante o período de implantação entre o 15° e 17° dias após a cópula fértil a qual se deve evitar: mudanças de ambiente, viagens ou qualquer outra forma de estresse. O diagnóstico de gestação pode ser feito precocemente por ultrassonografia aos 21 dias, por palpação aos 25 dias por um Médico-Veterinário extremamente experiente, afim de que não ocorra esmagamento das pequenas ampolas gestacionais, nem que estas sejam confundidas com fezes e por dosagem de relaxina aos 25 dias. A viabilidade fetal deve ser acompanhada por ultrassonografia e a quantidade de filhotes pode ser verificada por radiografia, neste último caso mais seguramente após 50 dias de gestação.

    A cadela deve ser pesada no início do período gestacional e não deve ganhar mais que 10% de seu peso ideal durante os 30 dias iniciais. Nas duas últimas semanas antes do parto o sistema digestivo se encontrará bastante comprimido pelo sistema reprodutor devendo-se fracionar as refeições em um maior número de vezes. Normalmente de 24 a 48 horas que antecedem o parto a cadela evita espontaneamente alimentar-se. Com o intuito de evitar episódios de hipoglicemia, nestas últimas semanas pode-se fornecer um alimento hipercalórico essencial para que a cadela que tem sua necessidade energética aumentada de 3 a 4 vezes a mais, possa se preparar para o parto e tenha condições para amamentar os filhotes sem sofrer processos de hipocalcemia e hipoglicemia.

    Também durante a semana que antecede o parto deve-se ter um cuidado especial com a cadeia mamária da cadela, pois algumas fêmeas superalimentadas podem começar a produzir leite/colostro vários dias antes do parto. Isto pode proporcionar o desenvolvimento de bactérias levando ao aparecimento de mamites que podem levar os pequenos neonatos ao óbito ao ingerir o leite contaminado. O uso de antibióticos seguros, em cadelas gestantes e lactantes, como amoxicilina, associado ao clavulanato de potássio podem e devem ser utilizados em processos infecciosos antes e pós-parto.

    O parto deve ser acompanhado por alguém experiente a qual a cadela confie e que se sinta à vontade. Para o parto normal deve ser escolhido um local tranquilo (sem barulho ou presença de outros animais), sem correntes de ar, com temperatura variando entre 25 a 37°C. A cadela iniciará o trabalho de parto após a diminuição dos níveis de progesterona séricos, ao final da gestação. Este hormônio tem características termogênicas e, portanto, a queda dele pode ser percebida quando a temperatura corpórea reduzir 1,0 a 1,5°C, sendo um sinal preditivo do parto. O trabalho de parto inicia-se com o aumento da intensidade das contrações uterinas e o aparecimento da bolsa amniótica no canal do parto, e o filhote sendo expulso em poucos minutos, sendo normal a duração de até duas horas. Ao nascimento do primeiro filhote, as vias respiratórias devem ser desobstruídas, retirando-se as secreções das narinas, e estimulando-se a respiração pela fricção do tórax, realizado pela mãe ou pelo acompanhante do parto. Em seguida, após o 1° choro deve-se colocar o filhote para mamar afim de que este receba o colostro. Este ato relaxa a mãe (liberação de ocitocina e relaxina) e ajuda na liberação do filhote subsequente. Deve-se observar ao nascimento dos filhotes se todos estão mamando e se não há nenhum filhote succionando na região vulvar, fato comum e que pode levar a processo infeccioso no neonato e rapidamente levá-lo ao óbito.

    Na primeira semana pós-parto a cadela tem sua necessidade energética aumentada em 1,5 x chegando a 3,5 x na terceira semana, devendo ser fornecida a ela um alimento com alta qualidade de proteína e energia. A partir da 3° semana (21 dias) o filhote passa a ter acesso a papinha de desmame além do leite materno. Este é um alimento de alto valor proteico e energético que atende às necessidades de mãe e filhotes do final da gestação ao desmame. A manutenção de um Escore corporal adequado da mãe é um fator importante para manutenção da amamentação e da eficiência e longevidade reprodutiva.

    Uma vez realizada a observação de todos esses detalhes citados para o preparo de uma fêmea para o acasalamento, existem grandes possibilidades de sucesso na reprodução de um casal de cães de alto valor. Contrariamente ao esperado cadelas que façam uso de alimentos de alta qualidade, submetidas a um complexo acompanhamento clínico veterinário e exames diagnósticos apropriados, podem possuir vida reprodutiva de até 8 anos de idade.

  • Se o cão possui pedigree significa que é ótimo? Vale a pena adquirir com pedigree?

    O pedigree nada mais é que um documento oficial onde aparecem os pais, os avós e os bisavós do pai e da mãe de seu cão. Lá poderão estar excelentes exemplares ou não. Poderá existir um cão excelente nesse pedigree e os demais terríveis. O pedigree pode ser falso também. Uma pessoa pode pegar o pedigree de um cão e registrar uma ninhada como se ele fosse o pai e, na verdade o pai é um pitbull do vizinho que essa pessoa acha muito forte e, a pessoa que adquire compra gato por lebre. Pessoas que possuem exemplares sem pedigree comumente fazem isso. Evidentemente que não são criadores sérios. São vendedores de cães. Felizmente existe o teste do DNA para dirimir quaisquer dúvidas. Os criadores sérios não tem nenhum interesse em fazer isso. Um pedigree excelente nos mostra o que esperar desse exemplar considerando as fotos dos pais e avós famosos por exemplo. Isso será importante no futuro se quisermos levar a sério o nosso investimento.

    Alguns afirmam assim: não precisa que tenha pedigree, eu não vou criar. O pedigree é um documento importante, até para ser uma prova de que o cão é seu em caso de roubo. Num primeiro momento parece desnecessário mas é muito importante em muitas ocasiões. Digamos que num futuro uma pessoa que possui uma fêmea registrada queira cruzar com o seu cão. Se ele não possuir pedigree a ninhada não poderá ser registrada. Isso é ruím. Exemplares obtidos sem pedigree e comercializados estragam a qualidade da raça. É isso que faz com que ocorram acidentes que são exaltados na mídia. O custo do registro do exemplar é pequeno e não é o que aumenta ou diminui o valor do cão. É o mesmo que alguém chegar numa concessionária na Itália e perguntar para o vendedor: se eu não quiser os documentos seria possível me dares um desconto na Ferrari?

  • O que é uma exposição canina?

    No Brasil nós temos uma entidade chamada CBKC. Ela se localiza no Rio de Janeiro. É o órgão máximo da Cinofilia no Brasil. Ela está subordinada à FCI que é a Federação Cinológica Internacional localizada na Bélgica. No Brasil encontramos órgãos regionais representativos dessas cidades ou de determinado estado. Assim, em SP temos o Kennel Club de São Paulo, em Porto Alegre temos o KCRGS (Kennel Club do Rio Grande do Sul) e assim por diante. A CBKC organiza exposições em várias cidades do Brasil. Para participar de uma exposição basta o cão possuir pedigree. 

    Entrando no site da CBKC é possível ver o calendário de exposições. Digamos que nesse final de semana tenha uma exposição em Belo Horizonte. Existe uma data de inscrições. Fazendo contato com esse kennel organizador, depositar o valor de inscrição e, no dia da exposição estar lá. Se moras em Manaus terás que levar teu cão até BH e, no dia da exposição, no momento que chamarem os cães da tua raça e idade respectiva e classe (esses detalhes eu explico depois) entras e disputas. 

    Uma pessoa dona de um cão poderá levar o seu cão em uma exposição apenas e depois não levar mais. Poderá levar todos os finais de semana, viajando com o cão ou pagando um profissional para isso. Normalmente é um handler que apresenta o cão. É um profissional que sabe desfilar com cães em exposições. Nessas exposições existe um juíz. Ele olha os cães e escolhe aquele que gosta mais. Ele observa se o cão corresponde ao padrão da raça, se está saudável, se possui os dois testículos se for macho, se tem um tamanho proporcional ou condizente com o padrão da raça, se não possui nenhum defeito desqualificante (defeito desqualificante são defeitos que aparecem no padrão da raça e que está escrito na CBKC e nromas da FCI), exemplo uma mordedura defeituosa, uma cor ou proporção de cor proibida, etc.

    Se o cão apresenta as características físicas corretas ele tem chances de se tornar um campeão. Mas precisa se apresentar bem. Se ele desfilar triste, com a cabeça para baixo. ou indomável, ou agressivo com o juíz, ou sem fazer um show adequado (por isso o termo best in show já que a exposição é tida como um show) ele não terá sucesso em exposições. Não irá longe. O cão precisa ser bonito, correto e, principalmente se apresentar bem. Digo principalmente porque será comum veres um cão melhor perder de um pior porque o pior fez show. Isso costuma deixar o dono ou criador revoltado, mas não adianta reclamar. É a regra do jogo. O juíz também pode olhar mais para determinado cão porque o handler é famoso ou porque o outro handler está mal vestido e isso fizer o mesmo confundir ou misturar o julgamento. Por ser um julgamento objetivo e subjetivo ao mesmo tempo ocorrem êrros e injustiças mas, em geral, um cão de qualidade, que se apresenta de forma excelente irá ganhar mais do que perder.

    E o que é um ranking?

    A CBKC e o Dogshow vão computando qualificações como títulos conquistados e pontuações obtidas nas exposições. Um cão que vai em muitas exposições obtem mais pontuações e acaba ganhando o ranking. Se levares teu cão apenas em duas exposições ele não ganhará o ranking nunca. Para que teu american receba o título de Melhor American do Brasil terás que ter um exemplar de qualidade e abrires o bolso. Te preparares para invetires muito. Despesas de viagem, do cão e do teu handler, pagamento do handler, inscrições, alimentação do handler, despesas de hotel para o handler... Eu parei de fazer isso. Já venci rankings, me tornei conhecido e passei a pensar em duas coisas. A criação propriamente dita que é o que me motiva mais e a qualificação desse ou daquele exemplar com titulação.

    Como assim titulação?

    Sim, se teu american for bom podes torná-lo Campeão Brasileiro ou muito mais. Grande Campeão, Campeão Panamericano, Interncional e toda a sorte de títulos. Até Campeão Mundial. Todos os anos existe uma exposição num país para a disputa do Mundial. Digamos que o campeonato Mundial seja na Inglaterra nesse ano. Tu inscreves teu cão e ele disputa lá. Se ele ganhar recebe essa titulação. 

    Mas é possível saber se um filhote será Campeão no futuro?

    Quando o filhote atinge uma certa idade é possível vermos certas virtudes e certos defeitos. Durante o crescimento essas virtudes poderão se manter ou não. E defeitos que não existiam poderão aparecerem. Isso torna uma aposta se afirmar com segurança que determinado filhote será um campeão no futuro pois existem fatores que são fundamentais e que independem do criador como educação, estímulo do dono, treinamento com a guia bem cedo fazendo com que o cão se acostume com naturalidade. Um cão medroso e tímido deve ser descartado para exposições. Um fator que ajuda demais na potencialidade de ser um futuro campeão é a percepção do que aquele casal gera. As virtudes dos pais em termos de transmitirem qualidades. Pais com certos defeitos de fenótipo e de temperamento costumam passar isso para a prole.

    O ideal é ir numa exposição, observar e perguntar. Levar o seu filhote para que um handler o examine dando uma opinião técnica. Se for um juíz ótimo. Um criador confiável e que entenda. Enfim, se um handler gostar e nas expsoções os resultados forem bons vale a pena levar se desejas dar um título a ele.

    Qual a vantagem de dar um título ao seu cão?

    Se gostas do teu cão, se ele é lindo, porque não ter um diploma colocado na parede dizendo que é Campeão. É uma vaidade gostosa. Olhar todos os dias da sua vida para um cão que além de amigo, bonito e especial para ti, ainda é um Campeão, dá uma certa satisfação. Quem não gosta que o seu filho ganhou uma maratona ou que se tornou o artilheiro do time da escola. Ou que passou no vestibular. São conquistas. Agora, ficar preso nisso como uma obssessão é bem diferente.  O título será registrado na CBKC e quando registrares alguma ninhada aparecerá no pedigree dos teus filhotes que o pai ou a mãe são titulados.

     

  • O valor dos filhotes é sempre o mesmo? Um pouco mais sobre o assunto!

    Se todos os filhotes fossem idênticos e filhos dos mesmos pais eu pediria o mesmo valor. Mas isso não acontecesse. Portanto eu peço um valor que oscila dentro de uma ninhada e em ninhadas diferentes. Não é uma grande diferença. Mas comumente eu coloco ligeiras diferenças, nem sempre significativas. São critérios meus. Isso não significa que aquele que esteja com valor menor seja inferior ou que não poderá vencer exposições. Talvez o de menor valor venha a ser o melhor. Mas eu coloco valores oscilantes. Se a pessoa reserva antes de nascer o valor é mantido conforme tratado. Pedimos um sinal de reserva que representa um compromisso mútuo. Um compromisso de cavalheiros. Eu não posso vender para mais ninguém o filhote reservado. Mesmo que me ofereçam 10 vezes mais. Isso é apenas um exemplo. Mas a recíproca é verdadeira. A pessoa não deve desistir, a menos que troque essa reserva por outra futura. Se não existe compromisso não é necessário reservar. Um homem deve honrar a sua palavra.

    Eu comparo a criação de cães com a de cavalos ou de pássaros. Ao visitarmos um haras ou um criadouro de pássaros veremos que os valores não são iguais. O criador de curió dirá: esse curió eu peço R$ 1500,00, esse eu peço R$ 3000,00 e esse eu quero R$ 7000,00 por exemplo. O de cavalos dirá valores diferenciados também. Essa minha filosofia parece ser mais coerente. Mas se forem comparados os valores que pratico com de outros criadores, em sua imensa maioria pseudocriadores, verão que não peço significativamente mais e, as vezes, até menos.

    O que menos deve importar na hora de adquirir um american é o valor. A menos que seja um valor exorbitante. Adquirir um american de qualidade é um investimento, por vezes um parente que irá propiciar momentos fundamentais para nossa família. Como quantificar a importância desse ser vivo que irá conviver conosco. Comparem o que investimos em bens materiais com esse bem maior, o nosso cão, talvez o melhor presente que demos para um filho ou filha. Ou para nós mesmos. Um valor que se diluirá nas passagens dos anos, ficará insignificante, ao contrário das marcas insubstituíveis em nossos corações e mentes deixadas por êsse cão chamado american staffordshire terrier que considero o mais perfeito de todos.

  • O filhote sofre por viajar de avião?

    Não! A viagem é curta e o filhote é colocado num compartimento especial para carga viva. Viaja dentro de uma caixinha de transporte. Só aceitam dois cães por viagem. Mas a melhor maneira de responder a essa pergunta é afirmar que em 23 anos enviando filhotes para todo o Brasil nunca aconteceu um problema. E se acontecesse de um filhote falecer por ocasião do transporte eu enviaria outro pois, embora não fosse o responsável, não iria deixar uma pessoa que planejou ter um filhote de minha criação frustrado. Assim que ele chega ofereça um pouco de água e ofereça carinho para que se sinta bem recepcionado. Nessa fase está muito sensível a todos os estímulos.

  • É importante o adestramento?

    Uma criança que frequenta uma escola se alfabetiza e soma conhecimentos. A educação que recebe dos pais e da escola a torna civilizada. Um cão cujos donos interagem e ensinam se desenvolve mais e nos dá respostas maiores. Um cão adestrado aprenderá comandos e teremos maior domínio sobre ele. Adestrar é uma escolha pessoal. Se tivermos um bom adestrador certamente colheremos bons frutos. Mas a interação com o cão e a liderança que devemos mostrar pode os propiciar excelentes resultados e, lendo um livro de adestramento básico nós podemos ensinar da nossa forma. Já adestramentos avançados necessitam de um profissional capacitado. Pelo que tenho observado nesses anos o american, se bem escolhido e treinado só falta falar.

  • Êle é muito agitado? Terei que praticar esportes com êle?

    O american é um cão tranquilo e equilibrado se a ênfase do criador seja selecionar cães com esse temperamento. Quando o plantel é numeroso, como é o meu caso, eu identifico características diferentes de comportamento nos meus americans e isso repercute no temperamento, na forma de agir da prole. Numa mesma ninhada eu identifico filhotes com comportamentos diferentes pois a genética não é só dos pais mas também de ancestrais e da combinação entre os progenitores. Sendo assim, podemos ter um american agitado, intenso ou mais light, calmo, zen. Por isso é importante saber o perfil e as metas da pessoa que está adquirindo para poder realizar os seus desejos e, assim formarem uma parelha perfeita. A prática de esportes também é relativa pois alguns americans são verdadeiros atletas que podem participar de provas de agility e outros mais tranquilos. Mesmo os tranquilos são vigorosos em termos de potencialidades mas não necessáriamente possuidores de drive, energia intensa e aquela chama incomensurável que os fazem excelentes tanto em provas como nas tarefas de guarda. Novamente é preciso sabermos o que a pessoa deseja, suas metas, suas características para orientarmos na melhor escolha.

  • Vale a pena ter um american?

    Se queres um amigo para todas as horas, sincero e verdadeiro, incansável em suas demonstrações de fidelidade e resistente para te acompanhar em todas as jornadas da vida, a resposta é sim. Mas se és egoista e pretendes deixá-lo de lado como um objeto, para guardar a tua casa ou empresa, apenas para que as pessoas o temam achando que seja um pitbull terrível e assassino não vale a pena e nem deves te-lo. O american é um cão especial. Sensível e amigo. Fica triste se não é amado. Vale a pena ter um american se teu coração deseja amar e ser feliz ao lado de um cão especial. Pena que quando eu era adolescente meu pai não tenha me presenteado com um american. Teria sido o melhor presente da minha vida. Isso eu tenho certeza. Ele é potencialmente um guarda, um companheiro, um caçador (ele participa em algumas exposições também como cão de caça), um atleta (alguns americans se destacam em provas de agility), um cão para salvamento (já ocorreram relatos de americans que salvaram seus donos em enchentes) ou um simples amigo que deita ao nosso lado quando estamos serrando uma madeira ou pintando um muro. Pode ser um companheiro nas nossas caminhadas para emagrecer ou nos manter em forma. Pode ser um amigo que afaste um eventual assaltante que, ao nos ver com ele, opte por assaltar outro. Vale a pena ter um american? 

  • Tenho crianças e amigos. Posso recebe-los sem me preocupar?

    Algumas pessoas desejam que o american seja um cão completo e perfeito. Nenhuma raça é perfeita. Isso vale para o ser humano. Se desejas que o teu american seja desconfiado com estranhos e possa atacar um intruso que esteja ameaçando a família não podes exigir que ele seja assim, ao natural, se todo o mundo entra na sua casa e o acaricia como um bichinho de pelúcia. Socializando bastante ele será dócil e querido. Acostumado a brincar com crianças ele tenderá a ser meigo com elas e brincalhão. Afastado do convívio com crianças poderá estranhar alguma que esteja puxando a sua orelha. Qualquer cão pode morder. Nesses 23 anos que crio procurei conservar e aperfeiçoar os bons temperamentos. Isso me parece uma verdade porque nesses anos todos nunca recebi um e-mail ou contato de algum cliente que tenha um american de minha criação e relate um ataque a alguém da família. Quando alguém me visita eu nem prendo os cães mas quando uma criança entra eu tomo cuidados porque não quero me arriscar. Mas já aconteceu de meus filhos trazerem amigos e eu não prender e nada aconteceu. Os relatos das pessoas que possuem americans e crianças tem sido ótimos mas eu não acho recomendável deixar um american solto com crianças estranhas e virar as costas. isso vale para qualquer raça. Um poodle pode fazer estragos. Confio mais num american. Para resumir, tirando a eventual e rara possibilidade de algum desvio de carater, fato que creio ser possível notar na convivência com o cão, o american é um excelente amigo das crianças e apto a conviver harmoniosamente com elas e amigos da família. Importante que seja tratado com amor e socializado para mostrar o seu melhor. Um treinamento de obediência não deve ser de estímulo para a agressividade. O american ao natural tenderá a proteger a família. Condicioná-lo a atacar pessoas pode ser perigoso. Melhor um adestramento de obediência para que tenhamos um melhor controle sobre ele. E isso vale para todas as raças.