Canil Histórico

Origens

 

A parte Bulldog do APBT e do AST não é a característica gorda, curta, pesada, desajeitada, face bem curta e enrrugada dos Bulldogs de hoje.O Bulldog de vários séculos atrás foi um cão ágil, muscular, de médio porte, extremamente capaz de participar de lutas da época com touros e ursos. Eram admirados pela sua tenacidade, sua coragem física (chamada "gameness") e sua tolerância à dor - todos atributos importantes para lutar com animais de tamanho extremamente maior. Figuras artísticas dos Séc. 18 e 19 mostram um animal muito semelhante ao AST e o APBT de hoje. Esta similitude tem levado a certas autoridades em lutas de Pit Bull a aclamarem que o moderno APBT não tem o sangue Terrier em si. Em livros e descrições destas autoridades, o APBT é frequentemente referido como um Bulldog.Outras informações históricas não sustentam esta hipótese. Existem numerosas referências citando cruzamentos intencionais feitos entre Bulldogs e Terriers. A razão para esta mistura de duas variedades foi para aumentar a velocidade e níveis de atividade do Bulldog, pela adição genética dos atributos dos ágeis e ativos Terriers, caçadores daquele tempo. Os primeiros Bulldogs britânicos não eram cruzados exclusivamente com variedades Terriers. Tão admirada era a resistência física do Bulldog, que um cruzamento famoso com um Bulldog foi realizado com a raça Greyhound, visando acrescentar a mesma mais resistência. Outra mistura com as linhas Bulldog levou a uma nova raça. Com a intenção de desenvolver um cão de guarda mais eficaz para guardas de caça britânicos, o Bulldog inicial foi cruzado com o imenso Mastiff Inglês resultando no Bull Mastiff, um resistente, ágil, rápido cão com ainda considerável tamanho.

Lutas com touros e ursos foram legalmente proibidas na Inglaterra por decreto do Parlamento em 1835. A luta de cães embora não recentes, tornaram-se mais populares, particularmente pela proibição de lutas com grandes animais e pelo fato das lutas caninas poderem ser realizadas em espaços secretos com mais facilidade. O Bulldog, tão ideal para as lutas com os touros e ursos, mostrou-se lento e metódico nas lutas entre cães. Maior velocidade e olfato se tornaram necessários para trazer expectadores de jogos de apostas para as lutas clandestinas. Terriers de caça daquele tempo não só possuiam uma consaguinidade desejada para lutar com outros animais, mas também a resolução e a coragem para trazer à mistura. O cruzamento do tenaz Bulldog e o agressivo Terrier tornou-se cada vez maior na medida que a demanda para lutas caninas aumentou.

Terriers

 

Os Terriers há muito vinham sendo usados para a caça e então ataque de muitos tipos de animais. Fox Terriers acompanharam matilhas de Foxhound entrando em cerrados para matar ou afastar os seus habitantes. Terriers foram também usados contra texugos, ontras, e outras criaturas. Na matança de ratos os Terriers foram excelentes. Sua velocidade e aparente desejo de matar ratos, tornou-os úteis num tempo quando os roedores eram uma grande praga. Algumas fontes estabelecem que as raças Bull e Terrier resultaram de um intercruzamento do agora extinto Terrier Branco Inglês (que se parece em forma e tamanho com o Manchester Terrier). Outras autoridades afirmam que qualquer dos inúmeros tipos de Terriers caçadores foram usados em cruzamentos com os Bulldogs. Para sustentar esta última posição, tem sido apontado que alguns cães Bull e Terriers tem um couro resitente e uma variedade de cores não encontradas em Bulldogs ou nos Terriers ingleses.

Histórico da Raça

 

O American Pit Bull Terrier e o American Staffordshire Terrier juntamente com o Staffordshire Bull Terrier e as variedades branca e colorida do Bull Terrier, todos dividem a mesma herança genética. Os criadores modernos, reconhecendo ou não este fato, a verdade é que esta hereditariedade comum está profundamente arraigada naquilo que tem se chamado "esportes de sangue". O APBT, o AST, e todos os outros nascem de um ancestral canino que lutou com outros animais: touros, ursos, outros cães e até leões! A recusa de enfrentar a verdade histórica, desagradável ou barbárica como possa ser, é falhar na compreensão da fonte de tantas qualidades que tem feito estas raças resistirem no tempo e se tornarem famosas. Para compreender o lado positivo dos cães modernos, devemos entender as bases negativas que os influenciaram.

No início do século 20 quando esses primeiros cães ingleses chegaram aos USA se iniciou um processo progressivo de seleção visando superar esse condicionamento inicial que era fruto de cruzamentos selecionados com um fim específico que passou a ser evitado. Novos exemplares foram sendo selecionados visando um comportamento mais equilibrado. Beneth foi quem escolheu o termo American Pit Bull Terrier. Mas em 1936 tivemos um marco importante, o momento em que a raça passou a ser aceita pelo AKC mas com outro nome e novas regras de conformação e de comportamento. Nasceu aí o American Staffordshire Terrier que sob certo ângulo pode ser visto como um irmão do American Pit Bull, mas educado em Harvard. Os americans foram melhor selecionados. Antes o critério era ser ótimo nas rinhas. Mas agora o critério era outro. Os anos foram passando e hoje temos uma raça mais refinada mas nunca podemos esquecer que existe uma base que nunca deve ser abandonada, sufocada, reprimida a tal ponto de desaparecer. Um pitbull ou um american não pode ser covarde. A coragem é uma exigência proverbial para a raça.

Eu diria que tanto o Pit Bul como o AST devem possuir coragem mas serem equilibrados e capazes de serem plenamente socializados.

Encontrando o nome certo

 

Nomes de raças foram frequentemente escolhidos por conveniências políticas. O nome American Pit Bull Terrier foi escolhido por um americano, C. Z. Bennett, em 1898. Bennet fundou a UKC (United Kennel Club) e desenvolveu as regras oficiais para regulamentar a raça e lutas que foram depois abolidas. A UKC se tornou o registro oficial para os American Pit Bull Terriers.O American Kennel Club (AKC) repetidamente rejeitou o American Pit Bull Terrier para admissão.O AKC era forçado em sua recusa de aceitar uma raça maculada pela palavra"pit" associada às lutas caninas. Em 1935 o Kennel Club da Inglaterra reconheceu oficialmente o Staffordshire Terrier. Mudando o nome dos APBT para Staffordshire Terriers a raça foi aceita pelo AKC em 1936. Em 1974 o AKC modificou o nome para American Staffordshire Terrier visando diferenciar do Staffordshire Bull Terrier Inglês. Tanto o American Staffordshire Terrier como o Staffordshire Bull Terrier são atualmente bem recebidos como membros do AKC.

Aprimoramento da Raça

 

Desde o início estamos aprimorando os cruzamentos de tal forma que em cada geração se percebe um avanço buscando a perfeição. Começamos em 1991 e, desde então fomos inoculados pelo vírus AST e nunca mais tivemos cura. Cedo nossos americans começaram a ser enviados para todas as regiões do Brasil e, assim, influenciando o panorama da raça. Começamos a melhorar nosso trabalho de seleção quando importamos um casal dos USA que, ao vivo, nos pareceu o que faltava para que ocorresse um salto de qualidade na estrutura e desenhos de cabeça. Essas virtudes faltavam no cenário da raça naquela época. Nosso amor pela raça AST nasceu numa época em que ela não estava na moda e juntamente com o Rubens, o Glenn Maciel e o Cipriano fomos os introdutores da mesma no Brasil. Me envolvi com muita paixão à raça. Não sentira esse impulso na época que iniciara com Rottweilers, a despeito de serem ótimos cães. Mas cada pessoa se identifica mais com uma raça. Não gosto de me enaltecer mas as cabeças New Kraftfeld ficaram famosas e as estruturas de nossos cães evidenciaram que estávamos num caminho certo. Com muita dedicação e perseverança fomos abençoados com um título mundial pois em 2005, um american de nossa criação se tornou Campeão Mundial macho (Red Blood New Kraftfeld). Cinco anos consecutivos vencemos o Ranking de Melhor Criação do Brasil pela CBKC. Em 2010 novamente conquistamos essa titulação. Para vencer o Ranking de criadores é necessário que cães de nossa criação participem de exposições de forma sistemática. A última vez que fiz isso foi em 2010. Isso não deve ser o mais importante para um criador e sim criar com uma determinada filosofia. Somos os que mais geramos Campeões dessa raça no Brasil. O termo aprimorar a raça pode dar a idéia de que a mesma necessitasse de melhoramentos. Mas essa é uma idéia errônea de muitos criadores e, principalmente, dos que são afeitos aos concursos de beleza. A ação do homem muitas vezes estraga a raça. Os americanos, com o intuito de tornarem os cães vencedores em exposições transformaram a estrutura e o temperamento de várias raças. Mas para pior. Por isso o termo aperfeiçoamento, no meu caso, é uma busca equilibrada em que tento manter as virtudes originais da raça, não me iludindo com os ventos mutáveis das idéias dos juízes e dos modismos. Recentemente criaram o termo American moderno. O american ancestral tinha pouca angulação trazeira pois necessitava de impulsão. Por consequência o seu dorso não era reto. O moderno tem que ser bem angulado e com o dorso reto. Os juizes gostam. Querem que o american seja um Boxer ou um dobermann. Como meu plantel é grande eu posso gerar americans para vencer em pista, como já fiz e faço. Mas a fixação por exposições de beleza não me parece que combina com essa raça. É o mesmo que nós levarmos um lutador de boxe para uma passarela. Seu lugar deveria ser um ringue. Não falo da questão atávica das rinhas que sou totalmente contra. Falo da rusticidade, das virtudes de temperamento e físicas da raça que não foram criadas para desfiles de moda. A raça, quando recebeu um novo nome, em 1936, foi para que pudesse ser aceita no American Kennel Club e por conseguinte na Federação Cinológica Internacional. Foi nesse momento que o Pitbull (APBT) recebeu um novo rótulo, entrou numa "malha fina" e teve que se moldar aos caprichos do homem afeito ao desfile e à beleza. Selecionar e aprimorar para mim tem um sentido muito amplo e complexo. É uma arte de preservar o que se tem de melhor. Não jogo fora o que consegui em troca de novas linhas de sangue. Mantenho a qualidade que consegui durante os anos e vou somando alguma linha de sangue excelente para gradativamente mesclando com a minha base. Uma boa criação se forma com os anos. No meu plantel sempre encontro o meu passado e vou somando no presente o meu futuro. É preciso também conhecermos o temperametnto de nossos cães observando as gerações que se sucedem. Se importando bons exemplares podemos ganhar muitas exposições isso não nos torna criadores. É um trabalho de conjunto que gera esse estado. E a minha paixão é pela criação. Vencer rankings por vezes é uma imposição ligada ao meio competitivo da cinofilia em que vivemos. Mas eu me controlo para não me deixar contaminar por esses desejos. A raça AST teve um incremento significativo de exemplares e criadores ao redor do mundo. É uma das raças mais registradas apesar de tantas oposições dos meios de comunicação que volta e meia associam os casos isolados de agressão ao homem como se de regra fossem. O único "defeito" que encontro na raça AST é o de serem intolerantes com outras raças ou cães de mesmo sexo. Mas isso não é regra e depende muito da criação e socialização. São inumeras as raças que apresentam esse mesmo comportamento. Basta sabermos manejar o nosso cão. Fora esse defeito ou qualidade só encontro virtudes em todos os sentidos. Saber que sou um dos criadores mais antigos e que possuo uma filosofia de criação me deixa muito feliz e com uma responsabilidade grande pois não existe um estado no Brasil que não possua vários americans New Kraftfeld. Alguns países também e até na floresta africana dois machos New Kraftfeld convivem em harmonia. Sem ser presunçoso me sinto orgulhoso do que fiz até aqui. Posso fazer mais se a vida me permitir.

Os tempos atuais da raça American Staffordshire Terrier

 

Nessas décadas que crio aprendi a entender a raça. A experiência é superior ao que se aprende nos livros. Dezenas de ninhadas e o feed back de tantos relatos das centenas de pessoas que possuem um New Kraftfeld em sua casa. No princípio eu achava que o american seria sempre briguento com outros cães. Com o tempo eu descobri que uma ótima socialização torna o american amigo de outras raças. Muitas pessoas quando me diziam que ele estava convivendo com dois cães seus ou com um gato eu me sentia um pouco preocupado. Com o tempo esses casos começaram a ficar mais frequentes e, hoje, eu só alerto a importãncia da socialização.

O AST sempre nos surpreende e se conversarmos regularmente com ele, interagindo com gestos ele só faltará falar.

Ocorreu um salto no interesse por essa raça. Quando eu me apaixonei pelo american só existiam criadores aqui no sul mas hoje a raça se espalhou. Todos os estados possuem pessoas com casais e realizando cruzamentos. Criadores, pseudocriadores e desejosos de ganhar um dinheiro extra se multiplicaram. Aí reside o perigo. O american deve ser resultado de cruzamentos selecionados e é preciso conhecer o material vivo que se lida para poder manter o trabalho conquistado de seleção sob pena de regredirmos.

Nesses anos eu incorporei ao plantel linhas de sangue que julguei importantes para sempre somar. Observo os resultados, anoto mentalmente o que aconteceu e evoluo. Nas minhas experiências nasceram os melhores americans do Brasil, prova é que sou o criador que somou o maior número de títulos em exposições e que me levaram a seis vezes receber o título da CBKC de melhor criador brasileiro.

Mas o que importa agora é dizer que a raça é maior do que se pensava no início. De cão destemido, corajoso, resistente, dotado de uma variedade de cores, elegante, vigoroso, atlético e caçador se somaram outros atributos que o tempo me foi mostrando.

O AST é afetivo, amigo, companheiro. Adoram a nossa presença. São sensíveis e creio que sejam vítimas de si mesmos no que se refere a esse aspecto muitas vezes lembrado de que podem matar um outro cão. Na verdade o homem foi quem plantou a semente onde arde esse veneno. Num passado longínquo eram selecionados para a rinha, para a briga e precisavam matar para sobreviverem. O homem inoculou a intolerância e selecionou a maior agressividade possível com o intuito de vencer apostas. Se existe algum bandido nessa história é o homem. Mas o tempo mudou tudo. Muitas dezenas de anos selecionando visando temperamentos equilibrados e distantes das rinhas foi mostrando a verdadeira alma da raça. Eu diria que é uma raça corajosa mas voltada para a paz. O homem não deve acender o estopim da guerra. Dentro do homem, como já dizia o Erick Fromm existe a potencialidade para sermos lobos ou cordeiros. O mesmo existe no âmago de cada american que nasce. Cabe a nós sabermos estimular o melhor de nosso american para que ele nunca mais lembre do que fizeram com seus antepassados. Aspectos genéticos influenciam o comportamento e é por isso que seleciono há mais de duas décadas. Mas a educação é outro ponto fundamental para termos um cão feliz e afetivo.

Desde o início, quando os filhotes ainda mamam conversamos com eles e os acarinhamos. Soltamos com outros de idade semelhante e vamos construindo uma influência que irá se refletir no futuro.

Portanto, hoje a raça AST talvez seja uma das mais completas que existem e, se bem forjada pode nos propiciar toda a sorte de alegrias para nós e nossa família. Posso falar com segurança pois meus filhos foram criados em meio aos americans e os adoram. Mas nunca devemos esquecer que precisamos dar amor e limites aos nossos cães. O AST precisa saber quem manda em casa. Do mesmo modo que nossos filhos. Hierarquia e sabedoria são as palavras de ordem em famílias bem estruturadas.

Seja como for, a sociedade evolui e os interesses, mesmo mudando celeremente, sempre existem os que que ficam. O desejo de companhia, de brincar mesmo estando adultos, de correr, de saber que somos amados de forma incondicional. Poucos são os seres vivos que nos possibilitam essa sensação. O cão, tirando as poucas pessoas que nós confiamos são os que mais amam o ser humano.

O homem moderno é impaciente, cultiva o corpo, os parâmetros de beleza e sua inquietude pode dar margem a sensações de vazio pois nada que vem de fora pode preencher o vazio de uma existência sem amor.

Por isso, cada vez mais, o homem deseja possuir um cão que pode o acompanhar em quase todas as situações da vida. Dentro de casa deita próximo e assiste TV com a cabeça próxima de nossos pés. Acarinhado lambe nossas mãos como se fossemos reis mesmo que moremos num casebre. E se viermos a faltar é capaz de permanecer ao lado do túmulo, sem se alimentar, chorando a falta do dono.

Possuir um cão é uma experiência ímpar e propiciar isso para uma criança é uma dádiva inesquecível. O AST pode e deve ser tudo o que desejamos e esperamos de um cão completo. Iniciar a jornada, abrir nosso coração, ensinar, aprender, amar e desfrutar a vida e tendo ao lado um american staffordshire terrier pode fazer a diferença.

 

Criador responsável:

Nelson Filippini Almeida

Criando a raça american staffordshire terrier desde 1991

Médico com formação em Nefrologia e Psicoterapia.

Aposentado da Secretaria da Saúde onde trabalhou como clínico 35 anos no Posto 4 do IAPI..

Idalina Fátima Wrublewski (esposa)

Admistradora de Empresas