Verdades e Mitos

A raça American Staffordshire Terrier é apaixonante. Mas certas dúvidades criam mitos e outras criam verdades. Envie sua dúvida que o criador esclarecerá.

Castração.
02 de Maio de 2017

Mitos e verdades sobre a castração

A castração ainda é um assunto bastante polêmico para os proprietários de animais de estimação. Está associada à imagem de cães e gatos gordos e letárgicos, "cirurgia cruel", "mutilação do animal", etc.. É preciso desvendar o que há de falso e verdadeiro sobre a castração e entender bem quando ela é recomendada.


"A castração deixa o animal gordo"


Falso. A castração pode causar aumento do apetite, mas se a ingestão de alimento for controlada e o dono não ceder às vontades do animal, o peso poderá ser mantido. Observa-se que animais castrados quando jovens, antes de completar 1 ano de vida, apresentam menos sinais de aumento de apetite e menor tendência a se tornarem obesos. A obesidade pós castração é causada, na maioria das vezes, pelo dono e não pela cirurgia.


"A castração deixa o animal bobo" 

Falso. O animal ficará letárgico após a castração apenas se adquirir muito peso. Gordo, ele se cansará facilmente e não terá a mesma disposição. A letargia é consequência da obesidade e não da castração em si. Os animais na fase adulta vão, gradativamente, diminuindo a atividade. Muitos associam erroneamente esse fato à castração.


"A castração mutila o animal, é uma cirurgia cruel!"

Falso. A cirurgia de castração é simples e rápida e o pós-operatório bastante tranquilo, principalmente em animais jovens. É utilizada anestesia geral e o animal já estará ativo 24 horas após a cirurgia. Não há nenhuma consequência maléfica para o animal que continuará a ter vida normal.

"A castração evita câncer na fêmea"


Verdadeiro. As fêmeas castradas antes de 1 ano de idade, têm chance bastante reduzida de desenvolver câncer de mama na fase adulta, se comparado às fêmeas não castradas. A possibilidade de câncer de mama é praticamente zero quando a castração ocorre antes do primeiro cio. A retirada do útero anula a chance de problemas uterinos bastante comuns em cadelas após os 6 anos de idade, cujo tratamento é cirúrgico, com a remoção do órgão.


"O macho castrado não tem interesse pela fêmea"
Falso. Muitos machos castrados continuam a ter interesse por fêmeas, embora ele seja menor comparado a um animal não castrado. Se o macho é castrado e há uma fêmea no cio na casa, ele pode chegar a cruzar com ela normalmente, sem que haja fecundação.


"Castrando os machos eles deixam de fazer xixi pela casa"
Verdadeiro. Uma característica dos machos é demarcar o território com a urina. Se o macho, cão ou gato, for castrado antes de um ano de idade, ele não demarcará território na fase adulta. A castração é indicada também para animais adultos que demarcam território urinando pela casa. Nesse último caso, pode acontecer de animais continuarem a demarcar território mesmo após a castração, pois já adquiriram o hábito de urinar em todos os lugares.


"Deve-se castrar a fêmea após ela ter dado cria"
Falso. Ao contrário do que alguns pensam, a cadela não fica "frustrada" ou "triste" por não ter tido filhotes. Essa é uma característica humana que não se aplica aos animais. Se considerarmos a prevenção de câncer em glândulas mamárias, ela será 100% eficaz, segundo estudos, se feita antes do primeiro cio. O ideal é castrar o quanto antes.


Para que castrar os machos?
1. Evitar fugas.
2. Evitar o constrangimento de cães "agarrando" em pernas ou braços de visitas.
3. Evitar demarcação do território (xixi fora do lugar).
4. Evitar agressividade motivada por excitação sexual constante.
5. Evitar tumores testiculares.
6. Controle populacional, evitando o aumento do número de animais de rua.
7. Evitar a perpetuação de doenças geneticamente transmissíveis como epilepsia, displasia coxofemural, catarata juvenil, etc.. (em animais que tiveram o diagnóstico dessas e outras doenças transmissíveis aos descendentes).

Se levarmos em conta quantas vezes um animal macho terá oportunidade de acasalar durante toda a sua vida reprodutiva, seria mais conveniente diminuir sua atração sexual pelas fêmeas através da castração. O animal "inteiro" excita-se constantemente a cada odor de fêmea no cio, sem que o acasalamento ocorra, ficando irritado e bastante agitado, motivando a fuga de muitos. O dono precisa vencer o preconceito, algo que é inerente aos humanos apenas, e pensar na castração como um benefício para seu animal.


Para que castrar as fêmeas?
1. Evitar acasalamentos indesejáveis, principalmente quando se tem um casal de animais de estimação.
2. Evitar câncer em glândulas mamárias na fase adulta.
3. Evitar piometra (grave infecção uterina) em fêmeas adultas.
4. Evitar episódios frequentes de "gravidez psicológica" e suas consequências como infecção das tetas.
5. Evitar cios.
6. Controle populacional, evitando o aumento do número de animais de rua.
7. Evitar a perpetuação de doenças geneticamente transmissíveis como epilepsia, displasia coxofemural, catarata juvenil, etc.. (em animais que tiveram o diagnóstico dessas e outras doenças transmissíveis aos descendentes).


É errado o conceito de que a castração só deve ser feita em cadelas de rua. Se o proprietário não tem intenção de acasalar sua fêmea, seja ela de raça ou não, é desnecessário enfrentar cios a cada 6 meses, riscos de gravidez indesejável e, principalmente, de doenças como câncer de mama e piometra. A castração garante uma vida adulta bastante saudável para as fêmeas e bem mais tranquila para os donos.

Artigo da Dra. Silvia Parisi
Médica veterinária
CRMV SP 5532


Quem não gostaria de ter um amigo de verdade?
13 de Setembro de 2016

Contamos com os dedos os verdadeiros amigos. Geralmente são parentes. Mas quem não é parente e mesmo assim nos acompanha fielmente nessa vida sorrindo e chorando por nós esse é uma jóia rara. Devemos preservar esses raros amigos.
É uma preciosidade nessa vida. E, com o tempo, geralmente se afasta de nós. Por egoísmo, por se ofender por algo que tenhamos feito, por ter casado, por estar ocupado, por não ter mais tempo ou por mudar-se para longe. E quando damos aquela caminhada pelas ruas muitas vezes estamos solitários. Mesmo rodeados de pessoas podemos nos sentir sós. Quando chegamos em casa até os que amamos muitas vezes nos recebem mal por estarem ocupados ou com problemas pessoais. E assim acabamos tendo a sensação de estarmos sós e ficamos tristes. Parece que ninguém nos compreende.
Mas existe um ser vivo que desde os primórdios do homem na Terra, na época dos primeiros coletores, que foi selecionado entre os lobos e progressivamente foi se adaptando a nós. Iniciou uma relação que evoluiu através da seleção e criou um elo profundo e repleto de diversidades de contribuições ao homem nesse planeta.
Gosta do nosso cheiro, adora nos lamber, sente nossos passos a distância e o diferencia de outras pessoas, nos recebe sempre alegre e de bom humor. Está sempre pronto para nos acompanhar da infância à adolescência. Não guarda rancor como até nossos filhos de sangue guardam as vezes. Nunca se separá de nós a menos que queiramos. Não nos troca por outra pessoa mesmo que estejamos velhos ou doentes. Segue nossos passos como se fossemos reis e se deixarmos lambem até as nossas feridas. Muitos permaneceram sem comer ao lado do túmulo na esperança que ressurgíssemos das cinzas.
Nos dias de hoje, numa sociedade desumanizada e distante, onde as relações são gélidas, falsas e distantes. Em que o mundo virtual substitui com prejuízos as relações verdadeiras, cara a cara e tornam o homem cada vez mais distante de sua natureza existe um ser que nunca nos desapontará.
Nesses 25 anos que crio a raça american staffordshire terrier passei por várias etapas. A etapa de deslumbramento, de paixão por ver a novidade dos filhotes ansioso pelo porvir. A época da formação do plantel e as primeiras seleções. A época de iniciar a melhorar buscando novos gens e fenótipos, conformações e temperamentos. A época de competir e vencer exposições para provar vaidosamente ser o melhor. Com o amadurecimento não me preocupo mais em disputar rankings mas em agradar as pessoas para terem um american de verdade. Ser uma ponte, um elo em busca de algo maior. Material genético e conhecimento das gerações passadas dos americans me deixam mais seguro e confiante. A chama de paixão por ver filhotes ainda existe mas a filosofia amadureceu e com a idade precisamos dessa sabedoria numa criação séria. O jovem procura a superfície o sábio a alma. E eu acredito que a criação é a face, o coração e a alma de seu dono.
Sei que já existem criadores espalhados por todo o nosso território. E quando existem tantos, cada um querendo “vender o seu cão” a raça é comprometida. Eu iniciei quando o american nem ganhava um grupo numa exposição. Quando não era moda e sei o que me motivou a iniciar. Mas eu alerto que quanto maior o número de “criadores” pior para o futuro da raça. A razão é que a raça passa a ser tratada como uma mercadoria. Mais um item na sociedade de consumo. E numa sociedade em crise econômica os mais baratos são logo vendidos e isso aos poucos leva ao fim de uma raça como aconteceu com outras.
O que eu devo fazer? Por enquanto perseverar numa filosofia de criação e sempre somar e selecionar. Ser correto e ético com as pessoas e tratar com amor nossos americans desde cedo. Saber que no meio da cinofilia dita baixa encontramos pessoas de desprovidas de cultura e despidas de qualquer ética ou amor pelos seus cães. Saber que aquilo que fazemos de forma digna gera frutos a despeito da inveja e da arrogância de muitos.
Finalizando eu diria que ter um american de verdade é uma graça. Mas ao decidirem adquirir um não escolham pelo valor e busquem um criador que não tenha começado ontem a criar pois sem experiência ele não sabe o que lhe envia.
E um conselho para os que estão começando: pensem bem o que planejam para a raça. Não cruzem por cruzar. Para se divertir e depois distribuírem os filhotes para os amigos. Parece bonito mas não é uma contribuição. Quanto mais cães de uma raça existirem sem critérios de cruzamento menos criadores sérios sobreviverão pois não terão estímulo de investirem tanto em dinheiro e tempo para venderem seus cães a preço de banana. Daí param. E ficam os neófitos. E a raça sucumbe. O que eu disse vai desagradar muita gente mas é a verdade.
O ponto primordial em relação às raças é que se queremos apenas um cão é melhor adotarmos um exemplar sem raça definida. Melhor ainda se o tirarmos de um aprisionamento num canil mantido por uma ONG. Mas se adquirimos um cão de raça devemos lembrar que ele possui características que foram fixadas através de cruzamentos que duraram muitos anos. Quem procura um pointer para fazer caçadas deve buscar um ótimo criador. Mas se o pointer virasse moda em poucos anos teríamos pointers que não saberiam caçar direito. Daí muitos diriam que o Pointer, ou perdigueiro como é chamado, não seria mais o ideal para caçadas. Mas isso não é verdade.
Em poucas gerações, através de cruzamentos selecionados, retrocedemos e transformamos um american staffordshire terrier num american pit bull terrier apto a rinhas. Com alguns cruzamentos se deforma um american e se consegue um american bully para afetar suas articulações e deixa-lo menos atlético mas dono de uma cabeça monumental e desproporcional para agradar os olhos consumistas. Com poucos cruzamentos às cegas mudamos a índole de uma raça e suas características físicas. Os cruzamentos são livres e o homem é mestre em conseguir o ótimo e o péssimo. Se do lobo surgiram todas as raças que conhecemos imaginem o que pode ser feito com uma raça se não tivermos sapiência ao realizar um trabalho de criação.
A raça foi reconhecida em 1936 nos USA. Pensem em como estará a raça dentro de alguns anos. Eu tenho certeza que enquanto eu fizer a minha parte terei exemplares de American Staffordshire Terrier de verdade aqui no Campo de Força. Na sua maioria corajosos, fortes, fiéis, confiáveis, afetivos, com estrutura e genética.
Faça a sua parte!


Uma idéia inspiradora.
18 de Julho de 2016

Após descobrir que sua mascote tinha apenas seis meses de vida, este rapaz teve uma ideia inspiradora.

O que você faria se seu animal de estimação fosse diagnosticado com câncer? Robert Kugler resolveu criar novas (e inesquecíveis) experiências com sua mascote: em maio de 2015, Bella, uma simpática labradora chocolate, recebeu a triste notícia de que ela tinha osteosarcoma, também conhecido como câncer nos ossos.
Após receber a notícia, só existiam duas opções para a cadelinha: suas pernas dianteiras poderiam ser amputadas, ou ela seria “colocada para dormir” imediatamente, pois a doença estava provocando uma dor quase insuportável. Robert decidiu pela cirurgia e os profissionais garantiram que a mascote viveria de três a seis meses, pois o câncer tinha se espalhado para seus pulmões. Ao receber a notícia, o rapaz não teve dúvidas e fez as malas, se preparando para levar sua melhor amiga numa última aventura.
Juntos, Robert e Bella viajaram por diversas cidades dos Estados Unidos. Eles já passaram por Chicago, Key West, Nashville e muito mais, e a jornada ainda não chegou ao fim! Agora, 14 meses após a cirurgia, a dupla ainda segue conhecendo o país: “Bella está se sentindo muito bem, garante o rapaz. Para acompanhar as aventuras de Robert e Bella, você pode acompanhar o Instagram mantido pelo rapaz, ou entrar no site oficial da viagem: Robert Kugler Life Illustrated. Uma história realmente inspiradora, não acham?


Cão que morde o dono.
09 de Abril de 2015
CÃO QUE MORDE O SEU DONO - Qualquer cão pode ter algum destempero quando geneticamente seus ancestrais não sejam confiáveis. Eu seleciono há 23 anos. Não estamos livres de algum cão, independentemente da raça, apresentar algum distúrbio mental. Mas até hoje nunca tive um caso. Tomara que isso nunca aconteça. Na verdade aconteceu uma só vez com uma fêmea que mordeu a mão de minha esposa. Mas foi culpa dela ao lidar com um filhote que sangrava.
Nós sabemos de casos de filhos que matam os seus pais. Mas nós não esperamos que isso ocorra com a gente. Não é normal que isso aconteça. Eu tenho 5 filhos. Espero que nenhum tente me matar algum dia. Não creio que isso possa acontecer. Mas leio nos jornais casos desse tipo. Entenderam a analogia com os casos caninos? Se fossemos influenciados pelos jornais pelos casos de traição que acontecem não casaríamos. E é mais fácil sermos traídos por nossos parentes do que sermos atacados por um dos nossos americans.
Já tive dezenas de americans formando meu plantel em momentos diferentes. Nunca um american me mordeu. Mesmo quando estava provocando dor ao retirar espinhos da boca com um alicate por terem mordido um porco espinho. Cheguei a tirar 90 espinhos ou mais numas 5 vezes em americans diferentes pois moro num sítio. Tirei com um alicate, sem anestesia. Tirava com rapidez mas doia. Mesmo assim nada de me morderem. Em momentos que queriam cruzar com uma fêmea, plenos de desejos instintivos e eu as vezes me metendo para tentar ajudar. Me atravessando no meio de forma indesejável para o macho. Ou para a fêmea que rosnava para o macho por não aceitar ainda. Mas eu não era ameaçado. Porque? Hierarquia, fidelidade e respeito. Um bom cão não morde o dono. Só existe uma situação que eu aceito que uma cadela morda o seu dono: nós estejamos machucando um filhote, o ameaçando. E eu já fiz isso ao mexer nos filhotes e os retirar de sua presença para tirar fotos por exemplo. Aqueles olhos apreensivos fitando o filhote mas nenhum ato de agressividade contra mim. E um bom dono sabe ler as expressões, entender o que o cão está nos dizendo com seu olhar e gestos. Muitas vezes eu provoquei dor numa fêmea quando estava querendo parir, dilatando com os dedos a vulva, o canal vaginal para tentar facilitar a saída do filhote. Gerando dor, a cadela gemendo de desconforto, apesar de eu estar ajudando a conseguir parir. Fiz isso algumas vezes nesses anos. Retirei filhotes trancados. Com o pescoço ao lado daqueles caninos. Uma mordida em minhas jugulares poderia ser fatal. Mas nunca senti medo. 
Tenho uma cumplicidade com meus americans. Mas eles são animais e nunca podemos ter certeza absoluta de tudo. Isso seria um pensamento idealizado, delirante e fantástico. Mas confio mais neles do que na maioria dos seres humanos. Os seres humanos raramente perdoam e são condicionais. Os cães nos procuram e nos lambem mesmo que no dia anterior tenhamos xingado e até batido neles. Eles não perdoam pois na verdade nem encararam que tenham sido agredidos por nós. Não acreditam nessa hipótese pois o sentimento que nutrem é incondicional, puro, verdadeiro, respeitoso e eterno.
 

REQUISITOS PARA UMA NINHADA SOBREVIVER.
23 de Agosto de 2014

A ninhada da NAVAJA com o CIELO nasceu no dia 18 desse mes. Estão com apenas 5 dias. Fico feliz ao ver a vitalidade deles. Um dos aspectos mais importantes quando vejo uma ninhada é se existe muito instinto de vida. Quando presente faz com que o filhote recém nascido busque as mamas com determinação numa ansia para sobreviver. Recebendo o colostro, o "néctar dos deuses" para os filhotinhos, existe uma chance grande do filhote sobreviver. Se a mãe possui leite e é cuidadosa com a ninhada temos o passo seguinte para que tudo corra bem. O filhote que fica para trás por não conseguir mamar como outros precisa manter a vitalidade e lutar com mais intensidade ainda para sobreviver. Uma boa mãe as vezes vendo isso separa instintivamente aquele que está bem alimentado para um lado possibilitando que aqueles que estão em desvantagem se recuperem. Uma mãe inexperiente pode, ao escutar ruídos, aproximação de pessoas ou latidos de outros cães deixar o local de seus filhotes para latir ou ver o que acontece. Ao fazer isso as indelicadas podem pisar e machucar algum filhote. Depois de algumas horas vemos algum filhote chorando mas sem mamar. O abdomen fica inchado, endurecido e dolorido. Houve uma lesão interna e esse filhote geralmente não sobrevive. Por isso é importante uma relação especial entre mãe e ninhada. Essa combinação de desejo forte de viver do filhote com proteção dedicada e delicada da mãe são os dois pontos fundamentais para a sobrevivência de uma ninhada. Assim eu tenho visto nesses mais de duas décadas criando.

 


Os primeiros dias de nossas vidas.
26 de Junho de 2014

OS PRIMEIROS DIAS DE NOSSAS VIDAS.


Uma psicanalista inglesa chamada Melanie Klein revolucionou a concepção que existia a respeito das crianças. Freud e sua filha, Ana Freud, essa psicanalista infantil, entendiam que não se poderia tratar mentalmente uma criança pois ela não
teria ainda condições de reponder às técnicas psicanalistas. Melanie, através de sua técnica com a arte de interpretar usando o ato de brincar procurou entender o ser humano desde os seus primeiros dias de vida. Elaborou teorias para explicar o funcionamento psíquico do bebê e com suas técnicas mudou os conceitos que tinhamos pois julgáva-mos que a criança só mais tarde entenderia e perceberia. Desde cedo temos o amor e o ódio. Nos sentimos ameaçados quando a mãe se separa de nós e não nos oferece o seio. Sentimos ódio. Mas amamos e nos sentimos protegidos quando a mãe nos abraça e oferece o leite quente e gostoso que sai de seu maravilhoso seio.
Um filhotinho de american quando está em seus primeiros dias de vida deve ser tratado com amor desde cedo. Ao pegar o filhote em nossas mãos devemos já conversar com ele para que ele ao ouvir a voz humana se sinta a vontade conosco e mais tarde com a pessoa ou família que o receberá. Essa pelo menos é a minha teoria. Nós tratamos com afeto o filhotinho desde cedo para que ele se sinta feliz e seguro. Para o humanizarmos desde cedo. Isso faz com que nos liguemos a eles. Sei quem é quem e procuro não pensar no filhote no dia da entrega pois sofro com isso. Eu e minha mulher ficamos felizes porque somos uma ponte, um elo, para que uma família, uma criança, uma pessoa que precisa de um amigo ou amiga conquiste essa alegria através de nós. Nossa idéia é de que o filhote precisa de amor desde cedo.
Nesses mais de 20 anos que crio eu aprendi muito e precisei evoluir para progressivamente ser um melhor criador. Notei que a criação é um trabalho que transcende a nós próprios pois precisamos superar o nosso ego, com todas as vaidades e egocentrismos para podermos melhorar com os nossos amigos cães. A idéia que ainda existe nesse país e no mundo, na maior parte dos que criam cães é de que basta cruzar esse com aquele, dar alimento e esperar o momento de vender os filhotes. Eu fico com extrema pena dos animais, em particular nesse momento dos cães que tem sido apenas um objeto para nossas necessidades de toda a espécie. 
O cão evoluiu através dos séculos em seu contato com o homem. Hoje temos toda a sorte de habilidades que o cão desenvolveu, de maneira especializada para atender o ser humano que se tornou um patrão, um dono ou amo. Na verdade, quando as tarefas são executadas com afeto e respeito pelo cão, esse desenvolve uma parceria, uma amizade e se diverte com a união. Mas o homem precisa sempre respeitar o cão. Por isso eu sempre dialogo com a pessoa antes de entregar um filhote. Um filhote que nós cuidamos e damos amor não pode ir para qualquer lugar, ou qualquer pessoa. Felizmente encontramos pessoas maravilhosas nesse planeta. Pessoas que só ao falar ao telefone notamos um brilho em suas palavras que parte do peito, refletindo o amor e o calor que esse filhote receberá nesse lar. Quem nos respeita tenderá a respeitar também o cão. Uma pessoa boa costuma amar os animais. Quem destrata um cão não é uma pessoa equlibrada e saudável psiquicamente. Por isso sempre peço a Deus que me envie as boas pessoas e Êle tem sido generoso conosco.


Ida à praia...
31 de Janeiro de 2014

Os preparativos que antecedem a ida à praia são redobrados para quem vai ter o animal de estimação como companheiro de viagem. Cães e gatos precisam de cuidados específicos antes de pegar a estrada. 

Ainda na cidade, recomenda-se checar se o bichinho está com a vacinação em dia e realizar uma tosa para que ele não sofra com a alta temperatura. Na hora de desembarcar no litoral, além da saúde do animal, o cuidado é com a convivência pacífica entre todos os frequentadores da praia.

— Há lugares públicos que aceitam animais, os pet friendly, mas mesmo assim é preciso conhecer as regras e os limites estabelecidos — aconselha a veterinária Karin Piva Franzen.

Entre outros cuidados, é importante prestar atenção se os bichos, especialmente os gatos, reduziram a ingestão de alimentos. 

— Em alguns casos, torna-se necessária uma adaptação dos pets (principalmente felinos) ao novo ambiente — explica o veterinário Lucas Dehnhardt. 

Confira algumas dicas de saúde e de convivência para os animaizinhos na praia.

Os 5 mandamentos 

1 – Mantenha o animal sempre com a guia Evita que o bicho fuja, ataque animais e pessoas ou circule em ambientes não apropriados, como a faixa de areia. Deixe o seu cãozinho solto apenas em locais privados e nos quais ele não ofereça perigo aos veranistas. 

2 – Não leve o animal para a beira da praia O que deveria ser um passeio inocente pode ser nocivo para o cão e para as pessoas devido a brigas com outros animais e transmissão de feridas e de doenças. 

3 – Evite passeios longos em dias de calor extremo Programe os passeios com seu cão para até as 10h ou depois das 16h. O sol intenso pode causar desidratação, hipertermias e queimaduras de pele ou das almofadinhas plantares. 

4 – Fracione a alimentação Dar um pouco de ração várias vezes ao dia é fundamental para que o animal se sinta leve e bem disposto. Evite excessos como pedaços de churrasco ou restos de almoço ou janta. Aguarde de 15 a 20 minutos antes ou depois da alimentação para levá-los a passeios ou agitá-los com brincadeiras. 

5 – Utilize protetores solares específicos A longa exposição ao sol provoca queimaduras também em animais, principalmente os de pele clara. Em alguns casos mais severos os pacientes podem desenvolver tumores de pele devido à excessiva exposição aos raios ultravioletas.


Evolução do American Staffordshire Terrier
25 de Novembro de 2013

O homem e o cão vivem há séculos num processo progressivamente elaborado de tal forma que cada vez mais encontramos características humanas no cão e, para os que se envolvem com eles notamos uma compreensão sutil da natureza canina.

O cão passou a participar ativamente de inúmeras atividades do ser humano e ocupar funções importantes na sociedade. São milhões de cães no globo terrestre exercendo funções que começam com uma simples companhia para pessoas solitárias, auxiliares no esporte da caça, no descobrimento de drogas ilegais e outras delegações policiais, guias de cegos, no socorro de doentes em situações específicas como em pacientes com risco de coma diabético ou suscetíveis de convulsões, na guarda territorial protegendo a família, na proteção pessoal contra assaltos e sequestros vigiando dentro do carro, na melhora de sintomas psiquiátricos em crianças com déficit cognitivo ou afetivo, enfim, são tantas atribuições que os homens deram nesses anos aos amigos de quatro patas que percebemos que não existe outro animal que tenha o quilate de sua dimensão para nós.

Considerando que os cães são sensíveis e inteligentes mas não possuem a capacidade de falarem precisamos notar o significado de seus gestos. No últimos anos cresceram as informações a respeito de formas de tratar ou recuperar vícios comportamentais nos cães. programas televisivos, livros didáticos e vídeos mostram técnicas. Cursos de adestramento dos mais variados. O homem passou a se interessar por esses temas. O cão de animal relegado a segundo plano e tratado como um ser que deva ficar no fundo do quintal comendo restos de comida ou amarrado numa corrente passou a ser melhor compreendido e respeitado pelas pessoas cultas e amorosas. Por cultura entendo a capacidade intelectiva de perceber o que é importante nessa vida e uma delas é respeitar todos os seres vivos.

Eu falei de várias funções nobres que o homem aperfeiçoou nos cães. Mas infelizmente a natureza humana é complexa e existe dentro de nós um lobo e um cordeiro. Nós podemos desenvolver virtudes mas também descermos até as profundezas da maldade e da ignorância levados pelos nossos instintos mais primitivos e mórbidos. Alguns homens tiveram a idéia de usar o cão para vencer o touro numa luta. Pareceu convidativo ver um cão pequeno destruir aquele animal imponente e poderoso. Os ingleses entendem que isso ocorreu porque a sociedade da época estava esmagada pela monarquia e sublimava assim a sua agressividade. Ao contrário do toureiro que vence a sua covardia escondendo a lança atrás de um pano vermelho iludindo o inimigo inocente, o rinheiro usa a sua covardia escolhendo um representante para sublimar suas necessidades destrutivas. Na Inglaterra do século dezenove os homens buscavam cães que fossem exímios nessa tarefa. Vários cães foram utilizados e se destacaram os cruzamentos envolvendo o Old English Bulldog e outros cães que pudessem ter essa aptidão. Como o Parlamento ingles proibiu essas lutas o homem migrou a sua neurótica obssessão para as lutas entre os próprios cães. Os cruzamentos utilizando os bulldogs geravam cães com mordedura de ótima pressão e coragem mas havia a necessidade de incrementar a agilidade, rapidez e tenacidade. Cães terriers foram experimentados. Para esse grupo de cães havia a denominação de bulls and terriers.

Quando no final do século dezenove uma pessoa chamada Chauncy Bennet levou para os USA os cães que eram denominados de pitbulls mas não conseguiu reconhecimento do american kennel club. Ele fundou o United Kennel Club e um dos critérios para um pitbull ser aceito era vencer tres lutas. Em 1936 esses cães, depois de um paralelo processo seletivo por outros criadores afastando-os das lutas surgiu a possibilidade de reconhecimento desses cães que eram de nominados de American Pitbull terrier. Foram estabelecidos certos padrões físicos como uma meta seletiva. Assim a aceitação do AKC fez nascer o American Staffordshire Terrier. Nessa época ambos eram o mesmo cão. O pitbull e o AST. Mas o tempo foi dando um aspecto diferenciado na compleição física, cabeça, beleza e temperamentos mais equilibrados que passaram a ser uma meta para cães que seriam também usados para shows ou exposições. O AST é uma evolução do AMPT.

Todo o American Staffordshire Terrier iniciou como um pitbull mas vem sendo aperfeiçoado desde o início do século passado e, aos poucos foi deixando para trás as características que eram enaltecidas nos cães trabalhados para as rinhas. Ou seja, o American Kennel Club estabeleceu em 1936 os pontos importantes no físico e na mente desse cão que passou a se chamar AST. O pitbull continuou existindo mas sem esses crivos e exigências. O AST conserva a coragem e tenacidade original, mas passou a ser cada vez mais tolerante e sociável com outros cães. Isso vale para a maior parte dos americans que são socializados desde cedo. O American Staffordshire Terrier passou a ser um pitbull com "controle de qualidade". É uma distorção da natureza um animal odiar seus semelhantes e desejar destruí-los. Esse comportamento ruím foi fixado pela seleção psicótica do homem. E um criador sério a partir de 1936 passou a fazer o contrário. Por isso hoje temos americans passeando nos parques. Mas para as pessoas que temem essa herança eu lembraria que todos os cães tem parentesco com os lobos e nem por isso devemos imaginar que assim seja o seu comportamento. Um bisturi pode salvar uma pessoa nas mãos de um cirurgião ou matar nas mãos de um assassino. A agressividade bem usada pode ser uma virtude se bem sublimada. A coragem de um american pode salvar a sua vida ou proteger a sua família. 

No meio de tantas raças com suas características peculiares optei pelo American Staffordshire Terrier. A coragem e rusticidade do mesmo. Sua resistência e beleza. Sua fidelidade e força num espaço físico pequeno seriam os meus motores iniciais para buscar a raça.

Mas com o tempo o homem na sua ânsia de vencer exposições foi dando mais ênfase a características de beleza e apresentação em detrimento da coragem e força num corpo compacto e pequeno e sua tolerância para o aumento das dimensões dos americans foi mudando o aspecto inicial. A raça virou moda e a população da raça explodiu no mundo todo. O AST em boas mãos é uma jóia mas em mãos de delinquentes é uma arma. Ele tem dentro de si um condicionamento que está em sua memória genética. Com o ser humano é dócil e amigo. Geralmente possui aptidões para a guarda conforme a linha genética mas com outros cães normalmente é intolerante quando não os conhece. Por isso precisa ser apresentado para outros cães desde pequeno e assim entender que não são seus inimigos. Com o tempo os criadores criteriosos lograram êxito em ter belos americans com temperamento equilibrado. Mas isso só se consegue no decorrer dos anos. Precisei de muitos anos criando para entender e saber interagir com essa raça. 

O segredo, no meu entendimento é a socialização precoce. Quando ouvimos algum comentário temeroso sobre a raça é porque não a conhecem. Em mais de vinte anos criando e um dos pioneiros da raça no Brasil percebo que pelos comentários que recebo das pessoas por todos os cantos do pais que nunca ocorreu um ataque a algum familiar ou amigo. Isso até poderia ter ocorrido pois qualquer cão pode morder por algum motivo que poderá fugir ao nosso controle. Nunca um american me mordeu ou algum dos meus filhos ou algum dos meus amigos. Minha esposa uma vez foi mordida na mão por uma cadela que havia sido separada de sua prole e ficou nervosa por estar solta no pátio sem eles e escutando o choro de filhotes de uma outra ninhada. Minha mulher levantou de madrugada e pegou um desses filhotes chorando e essa femea entendeu que ela estava machucando seu filhote quando na verdade nem era o seu. Foi uma questão de manejo e infelicidade momentanea e não uma regra.  Creio que se eu tivesse ido lá de madrugada não teria acontecido nada. Sei que foi um ato isolado e precisamos entender o processo como um todo. Quando recebo amigos e até crianças não prendo meus americans na grande maioria dos casos. Gosto de mostrar o equilíbrio sos meus americans. As pessoas ficam encantadas ao visitarem meu canil pois ao percorrerem os boxes individuais não escutam uma manifestação de agressividade e existe um silêncio no canil. Mas eu me sinto tranquilo ao soltar os casais que escolho para cuidar do terreno. Não consigo dormir tranquilo se nenhum american estiver solto. São os meus sentinelas.

Desde cedo nós tratamos os filhotes com amor e conversamos com eles. No toque e nos gestos eles cedo aprendem a serem tranquilos e não temerem. O temor, o medo são os alimentos da agressão no meu entendimento. Pelo medo de morrerem pelo cão opositor nas lutas é que que desenvolveram a agressividade contra o seu igual. O combustível da agressão é o medo da morte que alimenta a luta pela sobrevivência. Quem recebe amor se desarma. É nosso papel realizar o descondicionamento. Essa é a nossa filosofia no manejo psicológico dos americans no Campo de Força (Kraftfeld).

 

Nelson Filippini Almeida


Um pitbull salvaria uma criança?
13 de Outubro de 2013

Um cão da raça pit bull que perambulava pela ruas, foi recolhido ao Centro de Controle de Animais, e iria ser assassinado, conforme leis de Minneapolis, no EUA.

Christi Smith, moradora de Minneapolis, retirou o animal do corredor da morte, trazendo-o para sua casa e dando-lhe lar temporário, até que encontrasse alguém que quisesse adotá-lo. Uma semana depois, o cão salvou a vida de seu filho de 4 anos, latindo durante a noite, quando o menino parou de respirar devido a uma crise de hipoglicemia.

“Eu coloquei meu filho na cama por volta de 8h30 da noite”, disse Smith. “Ele acordou próximo da meia-noite e me pediu algo para beber. Ele estava agindo de forma estranha mas nada que me causasse preocupação”, declarou.

Mas TatorTot, o cachorro, viu que algo estranho estava acontecendo. O pit bull começou a latir e correr para trás e para frente entre o quarto da mãe e o quarto do menino. Cristin, a princípio, pensou que o cachorro talvez não tivesse gastado toda a sua energia durante o dia, quando ele havia sido levado ao parque para brincar e correr, mas o pit bull não iria desistir.

“Finalmente fui ver o meu filho”, disse Smith. “Ele estava quase sem respirar, TatorTot estava em sua cama, latindo e arranhando-o, lambendo seu rosto. Qualquer criança normal teria acordado. Ele não estava acordando”, disse.

O menino foi levado com urgência para o hospital, onde descobriu-se que seu açúcar no sangue estava perigosamente baixo. Apesar do resultado negativo para diabetes, os médicos ainda não têm certeza o que causou a hipoglicemia, mas uma coisa é certa: se o cão não estivesse ali, naquele momento, provavelmente o menino de 4 anos teria morrido.


O cão é um catalizador de amizades.
17 de Agosto de 2013

O cão, não bastasse ser o melhor amigo dos seres humanos, é um catalisador de amizades entre eles. Veja o caso dessa turma que costuma se encontrar na Redenção, em Porto Alegre: a atendente Ju Balverdü, 49 anos, que frequenta o local desde 1985 e tem o labrador Zoe, de quase seis anos, a arquiteta Letícia Paludo, 24 anos, dona do vira-lata Joey, de dois anos, e a nutricionista Ivana Goulart, 28 anos, com seu cocker Safira, quatro anos. 

Na tarde da última segunda-feira, elas resgatavam Zoe do lago do chafariz pela quinta vez, no mínimo. Zoe, que é de uma raça fascinada por água, voltava encharcado à terra firme, se aproximava e sacudia centenas de pingos na direção da turma, para depois voltar a mergulhar. 

Normal. Faz uns cinco anos que ele se joga no lago atrás de bolas e outros objetos atirados pela sua dona ou pelos amigos e amigas dela. Em uma dessas ocasiões, o labrador garantiu uma alta dose de respingos para Ivana ao se lançar no lago. O fato virou assunto para a nutricionista e para a dona de Zoe e fez brotar a amizade. 

— As amizades começam com perguntas como "que cachorro bonito, de quem é?" — conta Ju. 

Um pouco adiante, no trecho gramado do parque conhecido como cachorródromo, um cão cinza, amarrado a uma árvore, tornara-se uma espécie de ímã para outros animais e os donos deles naquela tarde. Rapidamente, a situação do weimaraner abandonado gerou uma intensa mobilização. As pessoas em volta trocaram números de celular e criaram planos para encontrar o proprietário do cachorro. Logo alguém lembrou que já tinha visto a dona dele. 

— Os cães são um fator de socialização bem forte — afirmou a funcionária pública Lucienne Barcellos, 55 anos, que participava das tratativas sobre o destino do weimaraner. 
 
Os mergulhos do labrador Zoe no lago do chafariz foram o ponto de partida para a amizade que nasceu entre sua dona e outros cachorreiros da Redenção
Foto: Adriana Franciosi


A mãe de Jack e o Seu Caramelo 

Não faltam casos parecidos com os dos donos de Zoe, Joey e Safira. Basta ir a algum parque com evidente presença canina para confirmar que os proprietários de cachorros têm sempre alguma história sobre laços que floresceram a partir dos mascotes. Ainda que os bichos costumem permanecer no centro das atenções. 

— A gente conhece um monte de pessoas aqui por causa dos cachorros, mas sabemos os nomes de poucos donos. É "oi, seu Caramelo", "oi, dona Chiquinha". Ou "essa é a mãe do Jack", "esse é o pai do Caramelo" — brinca o aposentado Claudio Moraes, 46 anos. 

Moraes se encontra há mais de um ano na Redenção com a cozinheira Cristina Souza, 42 anos, quando ela passeia com o enorme golden retriever Jack, de oito anos, e ele com o beagle Caramelo, de dois anos, e a poodle Chiquinha, três anos. 

Cristina é uma espécie de babá de Jack, que pertence a uma senhora. Trata dele desde o nascimento e passeia praticamente todos os dias. Claudio ganhou Chiquinha da filha e foi obrigado a comprar Caramelo para fazer companhia à poodle e evitar que a cadela se afundasse em depressão pela ausência da antiga dona. 

— Provavelmente foi em alguma conversa sobre os cães que eu conheci a mulher do Claudio e, depois, ele — disse a cozinheira, apontando para o amigo e para os três cães esparramados no gramado do parque. 

Calvin, o quebra-gelo de Gabriela 

Os bichos são um "quebra-gelo" que ajuda também na adaptação à vizinhança. Foi o que ocorreu com um casal nordestino que se mudou há três meses para Porto Alegre. 

Antes de deixar Fortaleza, no Ceará, o cachorro tão amado da advogada Gabriela Pessoa, 28 anos, morreu. A chegada à capital gaúcha, onde o marido de Gabriela, o médico Sávio, conseguiu um emprego, foi recheada de tristeza. Até que a advogada decidiu procurar um novo mascote. 

Em um site, descobriu um cãozinho brabo e abandonado chamado Calvin. O nome chamou a atenção porque ela é fã dos personagens de quadrinhos Calvin e Haroldo. Entrou em contato com a cuidadora do vira-lata, Andréia Braile. Foi a primeira amiga que conseguiu em Porto Alegre. 

— Mando fotos do Calvin para a Andréia pela internet. Sempre falo com ela sobre a adaptação dele — conta Gabriela, que leva Calvin para passear na Praça da Encol e avança, ela mesma, na adaptação à cidade. 

A professora Janete Weigel, 46 anos, e a dupla de shitsus Maya, um ano e meio, e Shiro, quatro anos, também aproveitam seguidamente o gramado da Praça da Encol. A família da professora — que se completa com o marido e dois filhos — deixou Santa Cruz do Sul e mora há cerca de três semanas na Rua Passo da Pátria. 

Ainda sem muitas amizades na região, ela sente que os cães serão um meio de criar laços na Capital. Já descobriu os horários em que o pessoal passeia com os cachorros na praça e tenta fazer os primeiros contatos: 

— Passou uma menina há pouco com um cão pequeno e a gente se olhou, olhou para os cachorros. A raça do cachorro normalmente começa o assunto. É assim que surge uma possibilidade de se aproximar. 

De guardas a membros da família 

A função dos cães mudou com o passar do tempo. Antes tidos como guardas de casa, hoje os cachorros estão mais para companheiros. Para alguns, são considerados membros da família, o que é explicável em um país com tendência a ter um número cada vez menor de filhos por mulher. 

Psicóloga e pet terapeuta, Karina Schutz considera o cão um intermediário entre as pessoas. Nas terapias, ela utiliza animais para incentivar gente com dificuldade de socialização a se relacionar com outras pessoas. Karina compara que é mais fácil uma aproximação por meio dos bichos do que entre duas mães que passeiam com bebês em seus carrinhos: 

— Os cães vão se cheirar e os donos acabarão parando para conversar. O animal atrai isso. As pessoas depositam esse afeto porque os bichos vão ficar pelo resto da vida do lado delas. Já os filhos saem de casa, acabam fazendo a vida deles. Isso explica, por exemplo, o quanto uma mãe se apega aos animais. É a síndrome do ninho vazio. 

A própria Karina fez amigos a partir do seu pastor branco Phantom, de dois anos e meio. Frequentadora do Parque Germânia, criou no Facebook os grupos Aumigos do Germânia e Vips dos Aumigos — o "au" é uma referência óbvia. Os grupos contam com 169 e 35 membros. 

—O animal é um ativador comportamental. Se a pessoa é inibida, só de sair para a rua para passear com um cachorro e alguém fazer um carinho nele já a estimula — define.


American Bully e American Staff
15 de Agosto de 2013

É possível, através de um trabalho de seleção com seus cães chegarmos ao american bully? Fabrício

 

Resposta do criador:

 

Fabricio!

 

Uma realidade é o american staff e outra o american bully. Um é um atleta e pleno de saude. Tem os aprumos corretos e não é braquicéfalo. Tem uma estrutura osteomuscular lapidada por gerações que o torna único. Outro é uma deformidade pois não é nem o bulldog e nem o american. Para pessoas que gostam de abulldogados recomendo que adquiriram um bulldog ingles ou um bulldogue americano. Na minha concepção o american bully é uma variante comercial do american staff para pegar incautos que valorizam mais a cabeça do que o todo. Que queiram um meio-termo. Sempre recomendo para as pessoas que dão ênfase maior à cabeça que adquiram de imediato um São Bernardo. Embora as cabeças dos meus americans sejam famosamente descritas como pesadas e fortes em sua maioria eu sempre penso que isso é uma virtude que participa de um todo harmonioso. Devemos nos cuidar de modismos com variantes de raças criadas pelo homem. Muitas delas nem reconhecidas pela FCI, como é o caso do american bully. O público que gosta dos bullys é o mesmo que usa uma fita métrica para medir as cabeças. A preocupação excessiva com medidas é algo meio perigoso se nos descuidarmos do todo. Imagine uma mulher na lua de mel levando uma fita métrica para medir nossas proporções?

Não recomendo portanto que se procure selecionar de forma errada os cruzamentos visando buscar um fenótipo diferente da base padrão da raça. O universo canino já apresenta as variantes necessárias para todos os tipos de funções. Mudar apenas o físico por vaidades pessoais é brincar com a natureza. Isso pode ser prejucicial ao animal. Veja o próprio bulldog ingles que respira com dificuldade, ronca e tem uma sobrevida mais curta em razão de patologias cardio-respiratórias. Só para satisfazer os impulsos estéticos do homem.

 

Um abraço!!

 

Nelson
New Kraftfeld

 


Gostaria de uma ajuda!
18 de Maio de 2013

Nome: GABRIELA
Cidade: RJ

Mensagem: BOA NOITE MEU NOME E GABRIELA, GOSTARIA DE UMA AJUDA : TENHO UMA AMERICA STAFFORSHIRE CINZA E VENHO LUTANDO HA MESES C A VETERINARIA SEM SOLUÇAO NO MOMENTO.A MAE DELA FALECEU HA 1 ANO COM AVC ,ELA POREM N TEVE NENHUMA CONVULÇAO(Q EU TENHA VISTO OU NOTADO) , MAS TEM LETARGIA, FALTA DE EQUILIBRIO, SEMPRE ARREPIADA ,EMAGRECEU, TRISTE,CABEÇA BAIXA (NA MAIORIA DAS VEZES), FALTA DE APETITE( AS VEZES).EXAMES DE SANGUE FORAM FEITOS .N TEM ANEMIA NEM BABESIA,TIROIDE UM POUCO BAIXA.JA TOMOU VARIOS REMEDIOS COMO PREDINISONA , CEFALEXINA.NO MOMENTO ESTA TOMANDO REVIMAX E LEVOREXITINA.PARECE Q TEREI Q FAZER UMA TOMOGRAFIA(SENDO Q ESSE EXAME E MUITO CARO,E N SE SABE SE TERA ALGUMA RESPOSTA TBM, P VER O Q HA REALMENTE, SE HA UM TUMOR OU OUTRA COISA.ELA SO FICA UM POUCO FELIZ QUANDO LEVO NA RUA , DEPOIS VOLTA TUDO DE NOVO. GOSTARIA DE SABER SE HA ALGUM HISTORICO DE DOENÇAS SOBRE ESSA RAÇA 

 

RESPOSTA:

Boa tarde Gabriela!

Pelo que entendi da tua pergunta seria se já vi algum caso assim com algum american. Minha resposta seria não. Várias patologias poderiam levar a um quadro semelhante. A possibilidade de neoplasia em algum órgão poderia levar a esse quadro. Uma doença infecciosa crônica também poderia evoluir assim. Patologias neurológicas que levem a ataxia e também doenças neurodegenerativas também podem criar esse quadro. Deves continuar a investigação junto ao teu veterinário com exames subsidiários até encontrares a etiologia. Enalteço a tua atitude pois muitas pessoas por razões menores sacrificam o animal. Apesar do exame ter sido negativo para Babesia creio que deva ser considerada essa possibilidade ou infecção por outro protozoário. Eu, na dúvida, talvez até tratasse fazendo um teste terapêutico. Mas essa decisão deve ser tomada pelo seu veterinário e eu, a distância, não estaria autorizado a recomendar nenhum tratamento pois minha visão está sendo incompleta.

O caso da tua fêmea não parece ter relação com a mãe. A menos que essa tivesse uma patologia neurológica que fosse geneticamente transmitida, o que creio ser difícil. Complementando, no meu plantel, nesses vinte anos criando e selecionando, talvez até por sorte, excetuando neoplasia de mama que já ocorreu em 3 fêmeas, não tenho visto patologias graves. É possível que tenha ocorrido em algum american que enviei pois, todo o cão terá, como o ser humano, uma doença que o levará a morte se for incurável ou se não for tratada. O AST, via de regra é um cão rústico, forte e resistente. Quando algo o abate é de se levar muito a sério.
Boa sorte e me de notícias!

 

Nelson Filippini Almeida